domingo, 8 de junho de 2014
mais de um ano depois...
mudei de computador. e nas mudanças deu para topar que há mais de um ano que.
nestes casos das duas uma: ou se esquece o assunto e se diz que as coisas são como são e tal. ou se tenta recuperar o tempo perdido. com atualizações, resumos, sínteses ou outras manhas. vou ver se consigo passar por entre as duas: fazer de conta que não é nada comigo. e aos poucos, à custa de fotografias e tal, ir contando uma ou outra cena de episódios anteriores. não é folhetim com assinatura paga. nem há razões ou sequer alguém para se queixar.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Saudades do Gui
Já tinha saudades de ver o Gui. Antes (quando o joão andava na pré, e o gui era da sala dele) via-o quase todos os dias, agora que até as entradas na escola são diferentes, já não acontece tantas evzes. Gosto de o ver, da alegria despassarada dele. Dá a impressão de girar em ligação directa com a vida, no que ela tem de mais imediato e espontâneo. Há nele muito da Filipa: uma pontinha de rebeldia, o mesmo à vontade em enveredar pelos caminhos menos usados, mesmo quando todos os outros os seguem, indiferente ao exaspero de quem acha que está ali para o domar ou reconduzir ao bom caminho. Mesmo literalmente é assim: sempre pronto a desviar-se do grupo, a ignorar as filas, a ir para onde a fantasia o chama no momento.
Quando penso no gui, o que mais me lembra é aquele dia no algarve, em que saiu estrada fora, sem que ninguém desse por isso (eu estava de máquina fotográfica na mão e registei o momento) de bordão na mão, como um peregrino, lá desandou ele a caminho de alguma romagem de que só ele saberia o motivo e o rumo. Nem olhou para trás. e tiveram de o ir buscar.
Hoje fomos todos ao cinema: um filme para esquecer. na minha opinião, claro. O joão gostou. como gosta de tudo o que mexa, de tudo o que devora, insaciavel de coisas novas, ainda sem grandes escolhas. quase sempre o que ele "gostou mais" é "de tudo", nos inquéritos que fazemos sobre isto ou aquilo. Era o "Zambézia" um desenho animado que parecia uma colagem de clichés dos filmes do género, ainda por cima com uns desenhos sem alma, pelo menos para quem viu os últimos da pixar, por exemplo. e eu não sou dos mais batidos neste ramo... Também podemos imaginar que um cliché só o é para quem já conhece o original, ou as anteriores glosas dos originais, o que não é o caso dos miúdos. Há sempre uma primeira vez: e a primeira vez pode ser um cliché de outras ignoradas. Até que um dia descobrimos que "já tudo foi dito pelos gregos", como dizia o outro.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
O João foi às compras...
que o joão era um comprador exigente já cá se sabia. Lembro-me ainda, ele pequenino, quando íamos à Feira da Ladra comprar brinquedos em segunda mão. Dava-lhe um euro (às evzes dois...) e lá ia ele a apreçar as coisas que via, a hesitar, a medir, a comparar... Tempos infindos. E eu à espera...
não mudou com a idade. No domingo fomos comprar um Lego que ele queria. Adora catálogos: para ver o que há, selecionar o que lhe interessa, sonhar com as coisas que quer ter... Não sabe ainda o valor do dinheiro, mas começa a compreender a lógica das moedinhas. Antes, era capaz de preferir três moedas de 1 cêntimo do que "só" uma de 1 euro... E assim foi juntando uma fortuna aos poucos. Porque eu lhe dava umas moedinhas de vez em quando. Outras vezes porque me pedia "a semanada" (devia ter ouvido essa na escola, ou ao Rodrigo...). Há dias o João Vilhena deu-lhe um mealheiro que "conta" o dinheiro que lá tem dentro. E o João apercebeu-se de que tinha quase quarenta euros, reunidos cêntimo a cêntimo durante mais de um ano. Tratou de escolher a peça que queria no catálogo da Lego e lá vamos nós às compras. Por acsso não havia "aquela" peça, mas ele não desanimou andou e desandou de um lado para outro, rejeitando alguma proposta que eu ou a Cereja íamos fazendo. Talvez não soubesse ainda o que queria, mas era claro o que não queria. E somando este e este, acabou por escolher duas construções que cabioam no orçamento dops 40 euros. Agora haviam de ver a cara do empregado quando ele saca do porta-moedas onde tinha guardado as moedas e despeja em cima da mesa aquele monte de moedinhas! Esteve tempos infindos a fazer montinhos de um cêntimo, de dois, de cinco e as poucas de 1 euro...
Agora o joão diz que vai começar a juntar para daqui a um ano comprar.... (não me lembro o quê, da Lego), mas é possível que até lá ainda mude de ideias ou mudem as modas.
até parece anedota
mas não é.
às vezes o joão vai à faculdade com a Cereja - quando não posso ficar com ele, quando há algum programa interessante, quando a Cereja o puxa. E vai descobrindo aos poucos o mundo da mãe: vê os ácaros ao microscópio, ajuda-a a regar as plantas do projeto em que está a trabalhar... A semana passada a curiosidade voltou-se para os outros edifícios da cidade universitária. O que era aquilo? A faculdade de psicologia, a reitoria, letras. a ali é Direito, disse a Cereja.
Daí apouco, o joão: E o Esquerdo? O esquerdo, o quê, diz a cereja. Ali é direito. E esquerdo, não há?
Para um canhoto é uma falha inperdoável, naturalmente.
2012 - uma boa colheita
2012 não foi o melhor ano das nossas vidas. houve muita tristeza, muita ansiedade, muita incerteza para o poder ser. Mas para o joão, que de certo modo é poupado a muito do que por aqui se passa, foi um ano de grandes conquistas: foi o ano em que começou a ler, em que aprendeu a andar de bicicleta com um certo à-vontade, e em que começou a nadar.
Já no fim das férias de verão tinha começado a tresler umas coisas a que aos poucos ia percebendo o sentido. mas agora é diferente: todos so dias, depois de lermos os nossos capítulos das aventuras dos cinco (começámos por ler um por dia, depois pedinchou um à tarde e outro á noite e agora são normalmente três capítulos por dia!). estamos aqui, estamos a acabar a coleção. Mas depois vai-se deitar e põe-se a ler sozinho, por sua iniciativa outro livro qualquer. E na escola é muitas evzes escolhido para ler aos outros o plano do dia, ou outras coisas que fzem parte do dia a dia lá deles.
Nadar foi outra vitória - começou também no verão. Na piscina do Tó zé no Gerês foi o pontapé de saída. À vontade no meio dos primos, e com um empurrão decvisivo da cereja, começou a sentir-se à vontade na água. E agora na piscina dos anjos (uma vez por semana, e este mês duas vezes por semana) já se desenrasca como os outros. Não sabe mergulhar, tem mdeo de molhar a cabeça, não se atira das bordas da piscina, mas dentro da água já se mexe muito à vontade.
E a bicicleta, então, foi um ver se te avias. Andou muito tempo hesitante. Com várias tentativas falhas. E voltou até às rodinhas de apoio. Até que a Cereja o subornou: se tirasse as rodinhas tinha uma prenda extra no Natal. Era o pretexto que lhe faltava. Tirou as rodinhasd e aqui vai ele. Agora gaba-se das proezas que vai arriscando: já dei a volta, viste? já sei arrancar sem ajuda, já...
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
como um jogo de roda que acaba
não imaginava que a morte da nicha me iria abalar assim. não é que nos víssemos muitas vezes. e quando nos víamos era quase sempre à volta das festas de anos dos miúdos. um ou outro jantarinho. os encontros nas férias, na praia, na roda de amigos e da família. então porquê? e começo então a ouvir de outro modo uma outra maneira de falar entre as pessoas a quem queremos bem: porque percorremos, porque viemos de caminhos próximos, porque há muitas coisas que não se dizem porque se vão vivendo dentro de um não-sei-quê que nos é comum, porque há uma eterna conversa sem palavras numa maneira de viver que se partilha, feita de pessoas, de escolhas e de coisas ainda mais ténues e definitivas. E há outra coisa: com o Jorge, com a Filipa, sobretudo, mas também com o kiko e a sua tribo e amigos como a Isabel e o Sebastião, ela fazia parte de um círculo em que eu me sentia envolvido, de que sentia fazer parte. Gosto do Jorge, gosto da Filipa, gosto dessas pessoas. quando a nicha morre é como se numa roda de gente de mãos dadas uma faltasse, rompesse o círculo, como se assim pusesse fim ao jogo a que todos brincávamos. e uma pessoa torna-se mais, muito mais, do que simplesmente uma pessoa que deixa o jogo. é o jogo que fica incompleto. e há uma tristeza muito grande neste sentir de que há muitas coisas (todas simples, todas sem palavras para as nomear) que sentimos que desapareceram.
Temos na nossa cozinha um tabuleiro que a Nicha pintou para nos oferecer, a mim e à cereja, pelo nosso casamento. é uma presença constante, e uma lembrança de uma ternura especial, que foge às palavras, que diz de outro modo o que quer dizer. e há também a régua desenhada e pintada por ela, que temos à entrada de casa e onde medimos a altura do joão no dia em que faz anos. também assim, discreta, mas bem presente, temos o olá da nicha a receber-nos ao chegar a casa. são as duas coisas obras simples, quase ingénuas, e muito bonitas. há ali muito da nicha: o vagar, se calhar a paciência, com que fazia as coisas, o tempo que se dava para as "ver" antes de as fazer. em silêncio. não sabíamos de nada: e um dia ela aparece e diz aqui têm, é para vocês.
sábado, 17 de novembro de 2012
novas da ilha (repescado de fevereiro)
encontrei isto nos "rascunhos", em fevereiro, mas não sei como o enfiar lá outra vez. fica aqui... (mas tb não faz mal ;-)
à saída da escola, diz-me o joão: pai sabes o que aconteceu hoje à lontrinha? eu não sabia, claro. a lontrinha estava a brincar e depois o leão sem querer deu-lhe um encontrão e ela ficou lesionada numa pata e teve de ir ao hospital.
mais uma "dramatização" do joão. há dias no recreio o joão apanhou com o triciclo do gustavo num jielho e ficou a manquejar um pouco. demos-lhe antiinflamatório por uns dias, mas como a coisa se prolongava decidimos levá-lo ao hospital. de manhã a filipa ia à sala fazer umas "experiências" para os meninos verem, e portanto de manhã não podia ser. o joão não queria faltar, claro. a cereja tinha tanto que fazer na faculdade que não dava para ir. fui eu buscá-lo à escola a seguir ao almoço e fomos ao dona estefânia: nada de grave. mais inflamatório por uns dias e esperamos que vá tudo ao sítio.
é também para o que serve a lontrinha. que agora tem catorze anos, anda na universidade, e já pouco brinca com os outros filhotes. é a estrela da família, à medida que aos poucos a "mãe do ursinho", o eufemismo a que o joão recorre para não dizer "a minha mulher", o que já raramente diz, só depois de instado. mas é ela que põe os dvds para todos verem. quase sempre as histórias do lince.
perguntei-lhe quem era o lince, para tentar perceber de onde aparecia mais esta personagem. não existe, diz o joão. é uma personagem dos filmes.
ah, está bem.
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