quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
jardim árabe
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
cenas do meu bairro
Namoro de bairro (1)
Vem morar para ao pé de mim, amor
Iremos juntos pela manhã ao mercado
comprar flores, cerejas
um peixe inteiro com suas escamas de luz.
Namoro de bairro (2)
Chegaram as primeiras cerejas
e a mulher que as vende
num cesto, junto ao passeio
parece trazer ainda nos gestos
(ou será nos olhos, no jeito de falar)
o cheiro do campo
o rumor dos pássaros
vi que apreçavas as cerejas
com tua mãe ao lado atenta
cheguei-me a ti
sem te olhar
mas que ouvisses
e disse: gosto.
E quando voltei a passar
do mesmo modo também
acrescentei depois: muito.
Seguravas o saco de cerejas rutilantes
e sem que a tua mãe entendesse
ainda uma vez voltei
para enfim dizer: de ti.
Olhei-te depois de longe
vi que sorrias
e soube assim que tinha passado
escondido
o amor em contrabando.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
a coragem do leãozinho
Um livro para os amigos

TRÊS CAVALINHOS
Havia três cavalinhos,
Três cavalinhos havia
Um andava a galope
O outro seguia a trote
E o terceiro dormia.
Aí vão eles mundo fora
À procura, à procura
Andavam pelos caminhos
Mas que lindos cavalinhos
Mas que grande aventura.
O primeiro cavalinho
Foi para longe guerrear
Fez a paz e fez a guerra
Para ser dono da terra
E sobre todos reinar.
Era grande o seu poder
Rei de toda a nação
Por todos era temido
Por todos obedecido
Mas amado, isso não.
O segundo cavalinho
Partiu a fazer riqueza
Juntou jóias, juntou ouro
Regressou com um tesouro
Casado com uma princesa.
Toda a gente à sua volta
Pedia favores, dinheiro
Era de todos invejado
Sem nunca ter a seu lado
Um amigo verdadeiro.
O terceiro cavalinho
Ao sabor da fantasia
Correu praias, correu montes
Bebeu em todas as fontes
Das terras da alegria
Teve amigos, teve amores
Que tal era o seu viver
De nada era invejoso
Nem rico, nem poderoso
Que não buscava o poder.
Chegou mais longe e mais viu
O cavalinho risonho
Que se dormia sonhava
E sonhando imaginava
Que toda a vida era Sonho.
sábado, 19 de novembro de 2011
sábado de manhã (2)
Há agora em Lisboa
bandos de papagaios que invadem às vezes
o bairro num alarido de cores e sol
que só conhecíamos dos filmes
ou das histórias que nos contam
Acorro à janela espantado
e surpreendo quase um sorriso
no aceno novo
da palmeira do largo.
* * *
Este menino
Este menino ali
entregue aos seus castelos, barcos, lobos
que logo apaga e volta a erguer
como ilhas, casas, dragões
não sou eu já, que dele me perdi
mas reconheço ainda
o mesmo jeito
o mesmo olhar desprendido
sobre as coisas
a querer ver além do nome
da aparência
o coração que nelas possa bater.
sábado de manhã
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
de bicicleta
no passado domingo o joão andou pela primeira vez de bicicleta (sem ninguém a aguentá-lo por trás). é só para ficar registado. fomos para a beira-rio perto do teatro camões e do oceanário. o joão sabia para o que ia: decidido ao agora ou nunca. ainda andámos um bocado com a mão no selim a ampará-lo, a berrar pedala pedala. depois larguei-o. e ele seguiu a princípio sem dar por que o tinha largado. mas depois corri ao lado dele a animá-lo. estava orgulhosíssimo (ele e eu e a cereja, claro).